Mundo
Crise política provoca graves atentados no Irã
Depois do resultado da última eleição presidencial, população protesta e país vira campo de guerra
Bruna Dornas
A noite de ontem, ainda assombra a população do Irã. Há 30 anos não se via nada parecido com o ocorrido. O levante avassalador que surpreendeu o mundo em 1979 e resultou na Revolução Islâmica, liderada pelo aitolá Ruhollah Khomeini, é o único evento comparável às cenas vistas ontem. Marchas de protestos, com participação de milhões de iranianos, tomaram conta do país após o anúncio da vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad na eleição presidencial do último dia 12. Estimulada por denúncias de uma fraude maciça na reeleição de Ahmadinejad, a rebelião ocorreu nas ruas, mas também com uma intensidade surpreendente na internet, por meio de redes sociais como o Facebook e o Twitter e sites como o YouTube. Os protestos dão uma dimensão das fissuras políticas na sociedade iraniana e apontam possíveis mudanças na república clerical xiita, um dos regimes mais fechados e opressores do mundo.
A onda de protestos no Irã começou imediatamente após a divulgação do triunfo de Ahmadinejad pela agência iraniana de notícias, apenas duas horas após o fechamento das urnas. A proclamação oficial do resultado da eleição deu 63% dos votos para Ahmadinejad, contra 33% para seu principal adversário, o ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi, um oposicionista considerado pouco carismático, mas que, ao longo da campanha, ganhou o apoio entusiasmado de reformistas, jovens e mulheres de classe média dos grandes centros urbanos. O resultado espantou, entre outros motivos, por causa da velocidade da apuração, já que a participação de quase 40 milhões de eleitores em todo o território iraniano é feita por meio de cédulas preenchidas à mão. O tempo gasto para a apuração nas disputas anteriores era de dois a três dias. Além disso, a larga vantagem obtida por Ahmadinejad contrariou as expectativas de uma diferença pequena de votos, alimentadas por uma campanha muito acirrada. Na contagem oficial, Ahmadinejad venceu com folga inclusive nas áreas em que a etnia azeri, a mesma de Mousavi, é predominante.
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