quarta-feira, 14 de outubro de 2009



A demissão que gerou um fenômeno


O jornalista Ricardo Noblat explica como um conselho despretensioso o ajudou a criar um dos blogs mais influentes do Brasil



Por Vinícius Las Casas

“Eu nunca tinha entrado em um blog, mas eu estava desempregado e um colega sugeriu que eu criasse um blog. Acatei o conselho e, em março de 2004, comecei a cobertura do mundo político na Internet”, foi assim que o jornalista Ricardo Noblat explicou a criação do mais relevante weblog político para os presentes no auditório do Centro Universitário Newton Paiva. O blogueiro, na última quarta-feira (26), às 21 h, relatou suas experiências no mundo virtual em bate papo com os, também, jornalistas Claudinei Queiroz, Guilherme Kujawsky e estudantes da faculdade.

O jornalista tinha sido demitido da chefia do Correio Brasiliense e editava uma página de política, aos domingos, no jornal O Dia, do Rio de Janeiro. Foi quando um colega de redação sugeriu ao experiente profissional a criação de um blog. A mídia brasileira tinha convencionado o weblog como uma alternativa ao diário comum, um local no universo online para contar as suas experiências pessoais. E era essa visão que Noblat sustentava. Porém, ele não se prendeu a preconceitos e criou seu espaço virtual. “Eu postava no blog as notícias que publicava na edição impressa do O Dia. Não o atualizava com muita freqüência, só quando o tempo permitia”.

Contudo, uma nova demissão e os inúmeros comentários que o blog tinha fizeram Noblat dedicar mais tempo ao seu espaço virtual. Com o trabalho árduo veio a recompensa. Os números de visitantes só aumentavam e o espaço se consagrava como o mais importante veículo de cobertura política brasileira na Internet. Noblat, que trabalhava de graça, foi convidado a hospedar seu blog no portal IG e posteriormente no jornal O Globo, com um suporte financeiro para continuar a constante atualização de seu espaço. Hoje, o seu espaço virtual recebe aproximadamente 25 mil visitas diárias. Mas engana-se quem pensa que a jornada de trabalho diminuiu. “Eu trabalho mais agora do que na época que era chefe de redação do Correio. Na Internet tem o retorno imediato do receptor e, até por isso, tem que manter o blog atualizado”.

A preocupação com a quantidade de informações atualizadas tem que estar sempre aliada à qualidade. Noblat explica que a checagem do fato noticioso é primordial, seja ela feita no impresso ou na Internet. “Certa vez achei um texto muito bem escrito sobre uma decisão que o governo dos Estados Unidos tomou. Postei em meu blog sem checar nada, logo eu que sempre fui preocupado com a apuração. Em poucos minutos já tinha reclamações de leitores que a notícia era falsa e tinha sido redigida por um blogueiro de humor para pautar erroneamente os jornalistas”.

A “barrigada” serviu como alerta para Noblat. O jornalista redobrou os cuidados com a apuração e se destacou com informações em primeira mão. A proporção de seu blog é tamanha que, até mesmo, os políticos da situação e oposição usam os posts escritos por Ricardo Noblat como ferramenta de discussão. “Os políticos da oposição usam as notícias que eu apurei para acusarem o governo de alguma irregularidade ou decisão errada. E o mesmo ocorre com os da situação quando eu noticio um fato contra algum político da oposição”.

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